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Domingo, 31 de Maio de 2009

Amarelinha

Troveja nos troncos o trovador
Trata do drama, do trabalho,
do orvalho, do amor
Amor de trítio, trufas, triunfos
Amor de drapeados, de trilhas,
de lágrimas drenadas.

É tetra, são trinta, é truco e é troco
De sussuros trocados,
de dragões que são lagartos,
de intrépidas transformações,
das saudades que progridem
geometricamente.

São drágeas de felicidade,
viciantes, necessárias, inebriantes,
arbitrárias, atrasadadas, confiantes
Troféu lustrado das trupes, dos tronos,
Tramas de ramos de flores.

Sem trevas, tragédias, sem truques,
sem trecos ou troços, sem trapos, sem pedras
É tanto, é canto, é pronto, é conto
Encontro de ilustrações de um futuro num travesseiro,
de um trato selado e guardado com zelo.

Que não liga pros outros, não liga de ir contra,
que não estraga, não atrapalha,
que não é industrial, não é eletrônico.
Que encanta com letras, que é meu,
é minha matriz, meu tradutor,
que se joga, me joga, me orquestra, me mostra,
me busca, me encontra, se entranha, se enrosca.

Me faz enxergar bem além, muito acima do céu
E faz surgir, a cada dia mais e mais,
trocentos trilhões de fases, besteiras,
de tradições recém-criadas, de simetrias e arritmias,
de mols de estrelas.


Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Pra esquecer da vida

Já digo que são tantas as maneiras de esquecer completamente do mundo, deixar tudo pra lá, que não caberiam nunca numa folha de papel, numa música ou num blog. De qualquer maneira, faço aqui um resumo pra que os menos experientes (não sei se essa não-experiência sequer é possível) tenham uma visão geral de como se faz.
Um dos métodos mais simples é fazer algo que você goste, algum tipo de hobby. Às vezes me pego fazendo passos de ballet na sala, sem motivo, tem gente que com um violão perde a noção do tempo, alguns cozinham, uns lêem, outros escrevem e ainda tem aqueles que jogam futebol (entre muitos outros, obviamente).
Jogue conversa fora, faça filosofias de bar, discuta o final da novela, bata papo sobre a rebimboca da parafuseta: vale sim falar de acontecimentos mais "sérios", contanto que o assunto consiga te puxar. Ou então fique quieto, pensando no que quiser, desde a cereja do sundae ao liquidificador do Cazuza, mas lembrando que pensar em nada também é uma opção.
Ligar a TV pode funcionar, só tem que ter cuidado pra não cair no sono (desconheço pessoas que tenham a capacidade de propositadamente esquecer da vida enquanto dormem): ou presta atenção no que tá passando e ignora todo o resto, ou deixa a televisão lá, como pano de fundo. É até estimulante. Atente para o olhar, que pode ser perdido ou com foco no além.
Colo, abraços, beijos: eficiência comprovada. Estar perto de pessoas que gostamos ajuda, dá pra esquecer da vida em conjunto, mas não é essencial. Quem nunca pensou em nada durante uma palestra, uma missa ou uma festa de criança? Sem contar aquelas aulas chatas em que tudo o que a gente entende é "blá blá blá".
Viajar no tempo, com fotos, músicas, filmes, textos, desenhos, joias ou até ursinhos de pelúcia é outra das atitudes que funcionam toda santa vez.
A verdade é que cada um tem seu jeitinho de se desligar, que varia de acordo com o motivo - ou a falta de - para fazê-lo (são portanto vários jeitinhos), mas o melhor mesmo é que não existe fórmula, só uma regrinha básica: se deixar levar.